sábado, 6 de fevereiro de 2010

Textos Vencedores do Concurso Asterix 50 Anos

Por Toutatis esses romanos por 50 anos tentam conquistar a gente e ainda não desistiram. Ou são muito burros ou muito corajosos.

Erik Volpert

Eu cai no caldeirão de poção mágica quando era pequeno.
Depois, nunca mais parei de ler Asterix.

Robson Mendes

ASTERIX NO NATAL

Por volta das oito horas da noite os convidados começavam a chegar ao Residencial Marlene Costa Teixeira, em Feira de Santana, a 108 km de Salvador (BA).

Pouco a pouco o playground do condomínio ia sendo preenchido por amigos e familiares para a ceia de Natal; quem adentrava ao local, logo procurava um lugar para assentar e alguém conhecido para conversar.

Ouvia-se, apenas, o burburinho do como-vai-tudo-bem em diversos tons de alegria; alguns eram seguidos de longos abraços, outros, apenas tímidos apertos de mão, mas tudo no clima da harmonia natalina. Ao longe, eu observava o vai-e-vem das pessoas naquele ambiente colorido e acolhedor, mal sabia eu, a surpresa que o céu havia reservado para noite.

Depois dos abraços e cumprimentos corriqueiros, pedi aos presentes que fizessem uma roda com cadeiras, suficientemente ampla, para acomodar todos os participantes; em seguida solicitei que assentassem, pois teria início uma brincadeira, a qual tinha por objetivo fazer brotar ali novas amizades e deixar o ambiente mais à vontade. Todos concordaram.

Pouco a pouco uma grande roda se formava, e assim passei a explicar ao grupo como seria a brincadeira: um carretel de linha passaria de mão em mão, mas antes de entregar o carretel à pessoa escolhida, uma frase, um poema, ou qualquer coisa do gênero teria que ser dita. Resumindo: uma sincronia dos diferentes ritmos da alma envolvendo vozes e idade.

Depois de todas essas explicações dei início à brincadeira. Escolhi uma pessoa entre os convidados e entreguei o carretel; disse a minha frase e segurei parte da linha (quem a distância via a linha na minha mão teria a impressão que uma grande aranha tecia um longo fio a partir do meu dedo e seguia em linha reta até mão da pessoa que eu havia entregado o carretel).

A segunda pessoa, da mesma forma, recebeu o carretel da minha mão e entregou ao outro do grupo; segurou, também, parte da linha –, assim aos poucos ia formando grande teia – e, a brincadeira prosseguiu. Frases dos mais variados gêneros literários foram reveladas. Rimos muito da intimidade com o vernáculo.

Assim a dinâmica foi repetida por boa parte do grupo até que chegou às mãos do meu sobrinho Enzo Barbosa, de 8 anos. Enzo e sua irmã Lorena, de 6 anos, eram as crianças do grupo e participavam da brincadeira, e até aquele momento, não haviam sido escolhidos. Quem ali estava, assim como eu, certamente queria saber o que sairia dos irmãos pequeninos. Notei algumas vezes, no desenovelar da brincadeira, que os dois, ora prestavam a atenção nas frases dos participantes; ora ficavam pensativos. Tranquilos, se mostravam tranquilos e concentrados.

Enzo, após receber a mensagem e o carretel das mãos do avô (meu pai) olhou de um lado para o outro, em busca da pessoa que ouviria sua frase, e escolheu entre os presentes, a esposa do meu irmão, e disparou: - “ALEA JACTA EST”. Perplexos, ante a complexidade da frase perguntamos: - “O quê”? Ele repetiu numa simplicidade monástica: - “ALEA JACTA EST”. Minha cunhada, a escolhida, indagou: - “Enzo, o que significa isto?”. Ele respondeu: - “A SORTE ESTÁ LANÇADA”. A gargalhada foi geral.

Rimos. E rimos muito. Todo mundo queria saber a gênese da frase e daí veio à fonte: - “ Eu li na revista do Asterix”. E os presentes ávidos por mais informações perguntavam e perguntavam, e ali ficamos sabendo que em um mês e quatro dias ele havia lido trinta e quatro revistas e seis álbuns, e para nossa surpresa, ele havia memorizado boa parte das citações em latim. Aí, o público quase desmaiou de rir.

O curioso é que maioria das frases falava sobre votos de melhora em 2010, bênçãos para vida... e coisas do gênero que normalmente se sente e fala no final de ano. Enzo com criatividade fugiu da reprodução, da idéia imitada, e desafiou.

Segundo o pai, Eliuben Barbosa, desde que o presenteou com a coleção da famosa dupla de gauleses, ele não a tira das mãos.

Por isso, quero parabenizar e homenagear Asterix pelos 50 anos de quadrinhos e aproveito o ensejo para dizer que a citação em latim dita por Enzo deixou claro que quem lê germina em si e no outro. Obrigada Asterix por encantar gerações e semear conhecimento e diversão.


Eteni Barbosa dos Santos Gualberto




Um comentário:

  1. Parabéns aos vencedores!! Foi muito bom ter participado e, melhor ainda, achar o meu nome entre os contemplados.

    Um abraço

    Eteni Barbosa

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